A relação do estresse com doenças oculares

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09 de junho de 2017

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Médicos e pacientes sabem há muito tempo da importância relevante em manter um estilo de vida equilibrado, tanto físico como mental, para o bem-estar emocional, que é considerado peça importante na prevenção e tratamento de diversos problemas de saúde.

Infelizmente, muitos de nós vivemos um dia-a-dia agitado e, cheio de compromissos, tornando dessa forma, cada dia mais difícil o cuidado com a saúde emocional.

As complicações advindas do estresse mental são bem difundidas e temidas, como por exemplo, as doenças cardiovasculares (como infarto e AVC), distúrbios do sono e depressão.

Porém, o que poucas pessoas sabem é que, o estresse também pode causar doenças oculares. E é de uma delas que este artigo tratará: a Coriorretinopatia Serosa Central (também conhecida apenas como Serosa Central).

Esta doença é complexa não apenas no nome, mas também em sua origem, diagnóstico e tratamento.

A Serosa Central é uma doença da retina, que é a região encontrada no fundo do olho, responsável por transformar a luz em estímulos enviados para o cérebro, especificamente atingindo a mácula, que é a região central (daí o nome da doença) no fundo do olho, onde se formam as imagens para enxergarmos com alta definição.

Pessoas que têm essa doença apresentam áreas de vazamento de líquido através dos vasos da coróide (as estruturas que levam sangue para nutrir a retina); ou seja: os pequenos vasos presentes no fundo do olho se comportam como “canos furados”, levando ao acúmulo de líquido e consequentemente um inchaço na mácula, podendo inclusive provocar descolamento da retina.

E o que o estresse mental tem a ver com isso? Acredita-se que algumas alterações neuro-hormonais presentes em pessoas que sofrem com estresse crônico levem a um defeito nos vasos do fundo do olho, tornando-os mais permeáveis. Assim, quem tem a chamada “personalidade tipo A” (pessoas mais propensas a sofrer estresse) apresentam maior risco de desenvolver Serosa Central.

Essa doença também é mais comum em homens jovens (entre 25 e 50 anos), e por isso é apelidada de “a doença do jovem executivo”, devido ao perfil de paciente que, em geral, apresenta o problema. Outro importante grupo de risco é o das pessoas que usam corticóides por tempo prolongado (como os alérgicos e os portadores de doenças auto-imunes e reumatológicas). Gestantes, usuários de psicofármacos e pessoas com doença do refluxo gastroesofágico também têm maior risco de apresentar Serosa Central.

A pessoa que tem Serosa Central pode queixar-se de piora da visão em um ou ambos os olhos (podendo ser repentina), visão embaçada ou desfocada, mudança do “grau” / refração (diminuição da miopia ou surgimento de hipermetropia), metamorfopsia (distorção ao observar objetos, principalmente linhas), micropsia (percepção dos objetos como menores do que realmente são) e distúrbio de percepção das cores. No entanto, é importante salientar que frequentemente os pacientes não apresentam sintoma algum, o que reforça a importância de realizarem consultas de rotina com um oftalmologista, para prevenção e detecção desta e de outras doenças oculares.

O problema pode ser detectado através de uma avaliação com oftalmologista, que observará alterações no exame de fundo de olho, levantando à suspeita de Serosa Central

Em geral é necessário também fazer alguns exames complementares, como angiofluoresceinografia (estudo das veias e artérias do fundo do olho), retinografia e OCT (tomografia de coerência óptica, para avaliação estrutural da retina). Esses exames são importantes tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento dos pacientes.

No acompanhamento clínico, o médico poderá optar por manter o paciente em observação por algum tempo antes de indicar uma terapia específica, ou quando necessário (principalmente em casos arrastados e de longa duração), pode ser realizada a aplicação de um laser de retina, ou também, dependendo da situação, uma terapia fotodinâmica; existindo também a possibilidade de se associar tratamento medicamentoso.

A doença em geral tem prognóstico favorável, com recuperação da visão na maioria dos casos. Como as recorrências são frequentes, o acompanhamento contínuo com o oftalmologista é fundamental. Tão importante quanto isto é procurar manter um estilo de vida saudável, compatível tanto com a prevenção deste problema de saúde ocular, quanto com a manutenção do bem-estar físico e mental em geral.

Dr. José Belucio (CRM: 155.738)

 


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